sábado, 3 de agosto de 2013

E assim vai...

Hoje eu não to bem. E desde que acabou é a primeira vez que eu digo isso.  Quando colocamos um fim naquilo eu não derramei uma lágrima sequer. Já havia derramado tantas, tantas vezes, durante todo o tempo, que eu engoli em seco e nunca mais chorei. Afinal o que eu sentia era alívio por não ter mais que sofrer, por não ser mais masoquista, por não ser mais idiota... Mas hoje eu to meio assim, sei lá, o sorriso que eu havia colocado nos lábios falhou, meu coração que estava tão apertado, não aguentou e disse a mim para parar, parar de negar o que estava sentindo, parar de acreditar que estava tudo bem e enfim aceitar a dor. A dor que eu escondi de todos pra não desabar, por que eu sou forte, por eu preciso ser forte. Mas hoje eu cansei, hoje eu só queria chorar, hoje eu queria que alguém me abraça-se e me escutasse, mas ninguém pode fazer isso, então novamente eu precisei engolir as lágrimas e esboçar mesmo que um sorriso torto. Ser a fênix que eu sempre fui. Mas pensando bem, para ser uma fênix eu preciso chegar no limite, preciso queimar, pra renascer das cinzas. E como posso queimar, se eu simplesmente escondi toda a dor que eu sinto?! Às vezes eu penso em você, admito, não nego. Às vezes até demais. Sim, eu te desbloqueei pra visitar o seu perfil e me pergunto se você percebeu e faz o mesmo. Mesmo sabendo que é errado, mesmo sabendo que eu não devo. Mas não, não pense que eu ainda sinto algo por você, eu não te amo. Aliás, eu até sinto algo. Sinto pena. Por que eu percebo que você continua a mesma pessoa. Mentirosa, traiçoeira, que cria um muro de ilusões para si e para os outros. Eu não te odeio, mesmo com toda a dor e sofrimento que me causou, eu nunca consegui te odiar. Mas às vezes, só às vezes, eu queria que você experimentasse seu próprio veneno. Às vezes queria que sentisse tudo que eu senti. Eu te amei de uma forma que ninguém nunca vai amar, eu cheguei no limite do ser humano, meu amor passou por cima da minha própria sanidade. E o que eu senti... o que eu sinto me transforma no que eu sou agora e o que eu vejo não é bom. Eu não consigo mais acreditar nas pessoas, eu estou destroçada por dentro, eu tento dizer pra mim mesma que eu vou voltar a ser quem eu era, mas eu sei que não. Eu não sinto mais nada. Às vezes eu acho que nunca mais vou conseguir amar de novo, meu coração quebrado não tem mais nem os cacos para remendar. Eu não sou fraca, não estou me entregando, mas quando se é forte demais por si e pelos outros, chega algum momento que é preciso parar e descansar, e eu não tive esse momento e talvez eu nunca tenha. Não eu não quero conselhos, eu não quero frases feitas, eu não quero nada disso. Já li muitos livros de auto-ajuda. Eu não quero tomar um porre, eu não quero me esconder no álcool e nos cigarros. Eu quero desabafar, mesmo que pra ninguém. Quem sabe assim eu consiga chorar de novo, quem sabe eu consiga sentir algo, quem sabe esse frio dentro de mim se aqueça um pouco e eu possa explorar todos esses sentimentos reprimidos, e quem sabe uma hora dessas, eu consiga sentir algo de bom novamente...     


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Numa Conversa Qualquer... nº02

Ele: Eu não estava com a cabeça no lugar... eu estava louco por você, mas eu não sabia o que fazer, não sabia como me expressar... e te perdi.
Ela: Me perdeu... E achou melhor desistir, não é mesmo?!
Ele: Resolvi me afastar por que o que eu estava fazendo era errado, e você sentiu isso.
Ela: Errado como?
Ele: Eu estava com a cabeça quente, com pensamentos distantes, recuperando meus ombros e sentidos... Meu coração estava despedaçado...
Ela: Eu também. Mas enquanto eu lutava contra mim mesma para recuperar minha sanidade, eu tentava te curar e te afastar do passado que te causava dor.
Ele: Durante longos seis anos, fizeram uma cratera na minha alma e coração. Mas, com você, eu pude ver o que precisava mudar nessa história.
Ela: Você é amargurado demais e mal sabe o que é dor. Eu sei o que é, eu conheço e carrego várias feridas. Eu queria te preparar para o pior, pois o mundo é destrutivo demais. Mas, você se esconde. Jamais ficará forte, se continuar com todo esse medo de sofrer.
Ele: Não, hoje eu não estou mais amargurado assim. Aprendi a sofrer com os murros que a vida me deu. Pensar, refletir e agir é o meu lema agora.
Ela: Compreendo... Pena que na vida das pessoas sirvo apenas de rito de passagem. Sou apenas mais uma experiência e aprendizado.
Ele: Pena que para as pessoas sou apenas mais uma passagem de nível.
Ela: Somos apenas degraus de uma coisa maior...
Ele: Infelizmente...
Ela: Não merecemos a felicidade, apenas almejamos. Se o mundo é tão cruel, me questiono se vale a pena viver nele.
Ele: ...
Ela: ...

Numa Conversa Qualquer... nº01

Ela: Me sinto triste. Estou vivendo um dia após o outro apenas como uma sucessão de fatos, esperando algo acontecer...
Ele: Ando vivendo dia após dia... Observando e ao mesmo tempo refletindo sobre o que fiz e posso fazer, onde eu errei e onde posso acertar.
Ela: Somos arrastados por uma corrente sem saber aonde vai nos levar.
Ele: Essa corrente se chama destino. Onde o que existe hoje, pode não existir amanhã, pois a corrente é incerta...
Ela: Viver na incerteza é tão doentio e tóxico quanto a ilusão. O mundo é uma grande roleta e vivemos em função das apostas.
Ele: A incerteza é o mal do mundo, por isso que as pessoas sofrem... é doentio pois elas se acostumam geralmente com o que lhe causa dor. 
Ela: As pessoas abandonam a razão, vivendo impulsivamente e momentaneamente.
Ele: É a ponte entre a razão e o coração.
Ela: Estou em pé nessa ponte esperando alguém me guiar.
Ele: Estou na ponta dela, esperando e refletindo...
Ela: Refletindo sobre o que? 
Ele: Sobre meus planos, sobre o que fiz e o que farei também. Às vezes o que almejamos é movimentado assim, como as gotas de chuva que o vento sopra.
Ela: ...O cerco se fechou para mim. Olho para baixo e me imagino pulando da ponte.
Ele: Por quais motivos?
Ela: O mundo, a dúvida e a insegurança que me apavoram... Quero ir pra bem longe.
Ele: ...